A História do Chocolate
Em mais
de dois mil anos de história, o chocolate foi por muito tempo considerado
sagrado por sociedades antigas do México e da América Central.
Foram
povos primitivos dessa região que descobriram que as sementes de cacau poderiam
ser amassadas e transformadas em uma bebida deliciosa, o tchocolatl. Quer dizer, deliciosa para eles, porque os europeus
quando chegaram à América, no final do século XV, não gostaram nem um pouquinho
daquela bebida amarga, gordurosa e... picante! O chocolate daquele tempo era
muito diferente do que conhecemos hoje: não levava açúcar e ainda era misturado
à pimenta e outros temperos fortes.
Mas se os
europeus, a princípio, não gostaram muito do tal tchocolatl, para os astecas, civilização altamente organizada que
habitava o México desde o século XIV, ele era um presente divino. Mais
precisamente de Quetzalcoatl, deus da sabedoria e do conhecimento.
Os
astecas acreditavam que essa divindade havia trazido do céu as sementes de
cacau e, por isso, festejavam as colheitas com rituais cruéis de sacrifícios
humanos. Para completar a cena, que mais parece ter saído de um filme de
horror, eles ainda ofereciam às vítimas taças de chocolate!
Muito
tempo depois, já no século XVIII, o botânico sueco Carlos Lineu, inspirado por
essas histórias e pelo sabor do chocolate, batizou a árvore do cacau de Theobroma cacao, que, em grego, quer
dizer alimento divino. Mas as
curiosidades sobre o chocolate não param por aí.
Tudo começou...
Ninguém
sabe ao certo quem inventou o chocolate. É sabido, no entanto, que, muito antes
dos astecas, a civilização Maia do Período Clássico (250-900 d.C.) já o
conhecia. O Império Maia ocupava o território onde atualmente encontra-se a
Guatemala, parte leste do Honduras, Belize e sul do México. Era uma sociedade
muito desenvolvida, que tinha como atividade econômica básica a agricultura e
conhecia técnicas avançadas de irrigação.
Os maias
plantavam o cacau, colhiam, torravam as sementes e as transformavam em uma
pasta, que depois era misturada à água, pimenta, cereais e outros ingredientes.
O resultado era uma bebida fria e espumante, apreciada particularmente pela
realeza, embora muitas pessoas também a consumissem, pelo menos de vez em
quando.
Devido à
importância social e religiosa do chocolate, as sementes de cacau eram
consideradas muito valiosas, tanto que passaram a ser usadas como dinheiro. Um
coelho, por exemplo, podia ser comprado por umas poucas sementinhas. Quando
dominou boa parte da América Central, por volta de 1400, o Império Asteca
frequentemente exigia que a população e povos dominados pagassem impostos em
sementes de cacau.
Terra à vista!
No ano de
1519, chegou à América um navegador espanhol chamado Hernán Cortez. E, para sua
surpresa, o Imperador Montezuma dos astecas o recebeu cordialmente. É porque,
segundo o calendário asteca, aquele era justamente o ano em o deus Quetzacoatl
tinha prometido voltar. Você já deve ter imaginado a confusão: Montezuma pensou
que Cortez fosse a reencarnação de Quetzacoatl. Afinal, o imperador era fã do tchocoatl – dizem que chegava a beber
até 50 garrafas da bebida por dia!
Montezuma
rapidamente presenteou Cortez com taças de
tchocoatl e uma plantação de cacau. E o explorador espanhol, apesar de não
ter gostado muito da bebida, logo percebeu que as sementes de cacau valiam
ouro. De verdade! Enquanto os grãos de cacau eram uma espécie de moeda local, o
ouro não era um metal valorizado pelos astecas.
Mas Cortez
não ficou satisfeito apenas com as lucrativas trocas comerciais e, um ano
depois, respondeu com traição à forma simpática com que o povo asteca o
acolhera. Ajudado por uma epidemia de varíola, doença que trouxera para as
Américas junto com suas tropas, derrotou os exércitos astecas, matando o
imperador Montezuma e seu sucessor.
Ao voltar
para a Europa, em 1528, Cortez levou consigo sementes de cacau e apresentou o
chocolate ao rei Carlos V, da Espanha. Pensando nas vantagens comerciais que
aquela bebida exótica poderia trazer, eles estabeleceram plantações em ilhas
tropicais conquistadas pela Espanha, como Trinidad e Haiti, na América Central,
e ilha de Fernando Pó (atualmente Bioko), na Guiné Equatorial, na África
Ocidental. Aliás, hoje, mais da metade da produção mundial de cacau vem de
países africanos.
O segredo dos monges
Na
Europa, o chocolate se espalhou entre a família real e os nobres da corte
espanhola. Para atenuar o seu sabor, eles diminuíram a quantidade de tempero
que os astecas usavam e passaram a adicionar mel. Já o rei Carlos V tinha o
hábito de tomar o chocolate com açúcar.
Para
garantir a exclusividade da receita, os espanhóis confiaram o segredo apenas
aos monges. Assim, as cozinhas dos mosteiros viraram locais de experiência para
o aperfeiçoamento do chocolate e a criação de novas receitas. Por quase um
século, a Espanha foi a única a produzir o chocolate, que se tornou artigo de
luxo. Enquanto os nobres o degustavam nos salões, os religiosos foram
autorizados a consumi-lo sem que isso representasse quebra de jejum.
Em meados
dos século XVII, entretanto, começaram a vazar as primeiras informações sobre o
chocolate. Os monges permitiam que visitantes de outros países provassem a
bebida, e marinheiros capturavam barcos espanhóis carregados com sementes de
cacau. Rapidamente, espalharam-se plantações de cacau pela Europa.
Mas foi
somente no século XIX que o chocolate se popularizou. Em 1825, o inventor
Coenrad Van Houten criou uma prensa que permitia separar o licor da manteiga de
cacau. Com o licor, criou-se um chocolate em pó de melhor qualidade e com a
manteiga – adivinhe! – fizeram o primeiro chocolate em barra.
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informações:

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